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CASARÃO DA PRAÇA DOM SILVÉRIO

  • 5 de fev. de 2021
  • 4 min de leitura

Localizado na Praça Dom Silvério, número 38,no centro de Barbacena, o Casarão da Praça Dom Silvério é um edifício de dois pavimentos com setorização residencial datada do ano de 1831. A edificação é pertencente à Paulo Pereira, José Eustáquio Drumond de Matos Valle e Carlos Pereira.


Contexto histórico e tombamento


O casarão foi tombado em instância municipal pelo decreto nº 3.397/1997 e nº 1.680/2003. Sua importância é ligada, principalmente, a uma figura de composição histórica de Barbacena: o coronel Francisco Libano de Sá Fortes, um fazendeiro com significativas contribuições políticas, econômicas e sociais. O passado retoma também a ligação da edificação como uso de um hotel com nomeação “Nova York”, recebendo, então, viajantes de diversos locais.

O contexto histórico da época se tratava de um período de vigência à revolução industrial, fato que marca o uso de técnicas construtivas de origem fabril, como por exemplo, um guarda-corpo presente na fachada produzido em ferro. Já a atribuição nacional contextualiza um período que marca o início de uma república (1822).



Características arquitetônicas

O Casarão da Praça Dom Silvério possui estilo colonial com alguns traços do eclético. Depois da última reforma, sofreu algumas modificações como a troca da cimalha e de parte do telhado, a pintura, os detalhes em pedra e a moldura acima da porta do meio. Por pertencer a mais de um proprietário, o lado esquerdo do imóvel se encontrava em melhor estado de conservação e possuía três portas e três sacadas, enquanto que o direito se encontrava muito degradado e possuía quatro portas e quatro sacadas. Após a reforma, o edifício deixou de ter mais uma divisão externa aparente, passando a ser simétrico.

As esquadrias de madeira e vidro, as grades de ferro (guarda corpo) nas sacadas, o telhado com quatro águas com beiral de cimalha e a simetria são marcas do estilo colonial, que é predominante na edificação. Assim como muitas construções de antigamente, o Casarão da Praça Dom Silvério possui a sua data (1831)marcada na fachada do imóvel, e, com a reforma, esse elemento que antes se encontrava quase ilegível, foi destacado.




Técnicas e materiais


A estrutura do casarão tem como base estrutural a pedra e vedação em tijolo maciço, além de apresentar uma porcentagem de 40% de estrutura autônoma de madeira. Técnicas construtivas como estas, eram muito usuais nas décadas passadas no âmbito da construção civil, sendo possível que a composição da fundação também seja feita com pedras naturais.

O material estrutural do telhado é composto em madeira e por outros elementos como telhas em capa e bica, condutores e coroamento na platibanda. Os vãos e vedações (as portas, janelas e enquadramentos) possuem um traçado típico do estilo da edificação e para compor todo o conjunto arquitetônico, a madeira foi o material usado, dando o toque de rusticidade.

É válido ressaltar que a edificação possui dois pavimentos com o pé direito alto, sua paginação é feita por ladrilhos hidráulicos e piso de madeira no segundo pavimento, permanecendo, até hoje, o original, necessitando apenas de alguns reparos. Diante disso, o acesso acontece pelos vãos (portas) de entrada do primeiro pavimento. Outro ponto importante a mencionar é o revestimento externo, no qual toda a pintura da edificação foi realizada com tinta à base de água.


De acordo com a documentação do Dossiê de Tombamento (2003), foi descrito na vistoria uma condição ruim, necessitando de intervenções, frisando que foi feita há 17 anos atrás e que, após isso, a edificação passou por reformas. Através das fotos recentes, é notório as mudanças de cores na fachada, no qual fora utilizado as cores amarelo ouro, cinza claro e branco, e a preocupação em zelar por todos os materiais usados desde a madeira as ferragens.


Considerações


O conhecido casarão da Praça Dom Silvério, por muitos anos, estava em estado de abandono, estando sua pintura desgastada, as vedações, aparentemente, carunchadas, seu telhado apresentando infiltrações e risco de queda, descamação do reboco, exposição da estrutura, gradil das sacadas enferrujados, entre outros aspectos. Porém, somente o lado direito da edificação (sendo esta vista de frente), em 2003, havia sido reformado. Entretanto, a reforma mencionada modificou as características originais da edificação, seja nas cores empregadas ou nos elementos adicionados para a melhoria do uso do ambiente.

Entre os anos, aproximadamente, 2015 a 2020, fora realizada uma reforma em toda a edificação. Esta levou em consideração apenas algumas características originais da construção, como por exemplo as grades da sacada e o formato das esquadrias. Mas, em comparação às imagens13 e14, pode-se perceber que há uma modificação na cor empregada nas esquadrias, em que antes eram em tons de cinza e com a reforma foi modificada para a tonalidade branca, e os vidros da mesma no pavimento superior foram retirados. Há também uma modificação da cor original da fachada, que aparentemente seria em tom amarelo claro e atualmente está em um tom amarelo ouro.



Além disso, é válido salientar que, em partes, foi demonstrado o ato da reforma ao ser recortado nas paredes e deixado à mostra o estilo construtivo da edificação. Porém isso não diminui a possibilidade de ter havido um “falso histórico” criado devido a modificação de alguns aspectos importantes originais da edificação. Neste caso, o entendimento de falso histórico denomina a reutilização de elementos que podem ter sido reconstruídos, dando um parecer de que seja antigo e, consequentemente, causando uma ideia equivocada de tempo, ou seja, histórias falsas.

Hoje, o Casarão possui uso comercial em seu pavimento inferior e no superior não foi identificado.

É pertinente informar que todas as considerações destacadas foram realizadas a partir de fotografias, não sendo possível a visita e análise do interior do sobrado.




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REFERÊNCIAS


FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE CULTURA.Dossiê de tombamento: Casarão da Praça Dom Silvério. Barbacena: FUNDAC, 2003.



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AUTORES: Gabriela Silva, Millena Araújo, Palomah Carvalho E Victor Vieira

ORIENTADOR: Professora Maíra Ramirez Dias

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